Arquivo de 13 Xaneiro 2009

Carlos Valcárcel (Prosciutto Mourente):
“O reintegracionismo é o exemplo máximo da politización da lingua”

Poucos reintegracionistas en activo coñezo tan moderados coma Carlos Valcárcel, e tan críticos ao mesmo tempo coas posturas máis extremistas dentro deste colectivo minoritario e diverso. Coñecido neste blog como Prosciutto, o líder do grupo ‘Projecto Mourente‘ expón nesta entrevista en exclusiva para alema.org a súa visión realista arredor do galego e as súas posturas conciliadoras cos defensores dunha norma independente para o noso idioma: “Nom creio que a gente viva enganada ou cega nas tevras do isolacionismo“. O reitegracionismo, segundo di, gera frustraçom quando um nom quer aceitar a situaçom actual e recorda que “é uma opçom basicamente ortográfica e terminológica, nom política“.

Co sensatiño e ponderadiño que me é, coa boa música que me fai… Como é que me foi saír reintegrata? [ :D ] Como se achegou vostede a ese mundo de perdición? [ :D ]

Agradeço os cumprimentos, que sempre sentam bem. Já hai bem anos que virei reintegrata. Foi alá contra o final dos anos 90, quando estava a fazer o doutoramento em linguística, na USC. Até entom eu fora um férreo defensor das posições oficiais, pero ao ter muito mais contacto com portugueses e sobretodo com brasileiros mudei de opiniom. Também influiu muito uma estadia que figem no Québec em 1997.

Agora en serio… Isto do reintegracionismo é para vostede unha aposta de futuro?

Si, totalmente. Penso que é uma boa opçom de futuro em muitos aspectos, nem só para os galegófonos, também para os castelanófonos da Galiza. Já se tenhem exposto em diferentes ocasiões. Pero para mim é também o jeito de mostrar no presente como vejo o galego, como o vejo na Espanha e no mundo.

Ser reintegrata xera frustración? Quero dicir… Estamos falando dunha norma escrita que ten poucas posibilidades de contar con apoio oficial, que non entende tampouco a maioría dos galegos, dos galegofalantes…

O reitegracionismo gera frustraçom quando um nom quer aceitar a situaçom actual, quando um se constroi realidades paralelas na cabeça e depois bate coa realidade. Eu nom espero que, como dizia alguém neste blogue, manhã cedo a Galiza toda acorde reintegracionista. Nom creio que a gente viva enganada ou cega nas tevras do isolacionismo, ainda que si com muitos preconceitos, alguns deles criados e fomentados por grupos reintegracionistas. Para mim o reintegracionismo é uma opçom basicamente ortográfica e terminológica, nom política. É um projecto que se tem que apresentar ainda devidamente e tendo em conta muitos factores. Desse ponto de vista, o reintegracionismo nom é para mim frustraçom, senom um projecto que me entusiasma. É um repto e, como ponto de partida, nom tenho outra que assumir que… 1) a maioria dos galegófonos nom escrevem (nem lêem) praticamente nunca em galego 2) os reintegracionistas somos uma minoria dentro da minoria de “galegógrafos” habituais e 3) temos que ter normas de convivência linguística (e portanto normativa) de consenso amplo. Penso que temos que trabalhar para mudar as cousas pero dentro desses parámetros de partida. O contrário é bater contra um muro.

Entende vostede que unha norma nh poida xerar rexeitamento?

Tendo em conta as circunstáncias actuais, nom me estranha que a maioria da gente nom considere pertinente adoptarmos uma norma nh/lh/ç para o galego. Assi e todo, devo dizer que no caso do Projecto Mourente, usarmos uma norma reintegracionista nom implicou atrancos para chegar à gente que o quijo conhecer. Creio que o que a gente mais rejeita (e aí também me incluo) é a utilizaçom política da língua e o caso do reintegracionismo é o exemplo máximo desta politizaçom. Nem todos os galegofalantes som nacionalistas e nem todos os reintegracionistas somos independentistas.

Como fai vostede para manterse sen caer en extremismos, fuxindo da famosa lei de alema: “reintegracionismo chama sempre a máis reintegracionismo”?

Eu sempre digo que som reintegracionista, nom lusista. Creio que antes do que lusista, seria brasileirista ou tropicalista, que parece mais atraente e exótico. Agora a sério, para mim, considerar que o galego e o português som a mesma língua nom implica aceitar às cegas o estándar português e menos ainda aspeitos extralinguísticos. A maioria das línguas internacionais tenhem vários estándares nacionais, acontece claramente co inglês e co espanhol, e parece que vai continuar sendo assi no português. Eu estou a favor dum achegamento ortográfico e terminológico, pero sem renunciarmos ao que é nosso e sem aceitarmos soluções que rengem quando as usamos ao falar (p.ex., ‘fixe’ ou ‘duche’). Por outro lado, considero que a norma brasileira também nos oferece soluções interessantes como palavras do tipo ‘aeromoço’ ou a eliminaçom dos grupos cultos em palavras como dialeto ou atividade (eu, ao menos, pronuncio-as assi). Portugal nom é a panaceia.

Que crítica lle fai vostede ao movemento reintegracionista? Onde cre que falla máis?

Eu tenho colaborado pouco coas organizações reintegracionistas tipo MDL e creio que nom som o mais apropriado para falar ou criticar. Contodo, creio que som necessários planejamentos mais realistas, menos politizados e que procurem menos a confrontaçom co isolacionismo e mais contactos da populaçom galega coas outras comunidades lusófonas. Penso que é mais interessante explicar-lhe aos galegos e às galegas o que é realmente o reintegracionismo e os benefícios que nos pode achegar. Nesta linha, penso que o labor de projectos como Via Galego, Ponte nas Ondas ou Cantos na Maré estám a ser bem interessantes e abrem novas linhas de trabalho com grande sucesso entre o público.

A Academia Galega da Língua Portuguesa é un erro ou un acerto?

Já se irá vendo, ainda começou a andar o outro dia, como quem di. Penso que o nome nom é acertado porque mesmo para nom poucos reintegracionistas o nome da língua que devemos usar aqui é o de “língua galega”. Tampouco compreendo essa ánsia por usar “língua portuguesa” quando as outras academias lusófonas nom o usam. Nom se podia chamar “Academia Galega das Letras”, por exemplo? Seja como for, penso que si é necessária uma academia reintegrata e nesta linha quiçá o labor da AGLP deveria ser o de fixar e actualizar a norma reintegracionista e, sobretodíssimo, o de integrar léxico galego nos dicionários portugueses e brasileiros, igual que nós integramos nos nossos dicionários (mesmo nos isolacionistas) termos desses países.

A pregunta do ano non pode faltar… Hai máis de 2.009 reintegratas?

Já era uma boa cifra. Penso que primeiro deveríamos perguntar-nos quantos “galegógrafos” hai na actualidade. Creio que a RAG já achegava nos anos 1990 umas percentagens bastante desalentadoras sobre o uso escrito do galego polos galegófonos. Para mim o importante é que se fale e que escreva em galego, se é com -ble ou com -vel, com ñ ou nh, já me parece secundário.

9 comments Xaneiro 13th, 2009


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