Galeguizar os apelidos pode converterse nun pesadelo: o caso de Ribeira

3/Setembro/2008

Ata o de agora o que se nos vendeu é que a galeguización dos apelidos era unha tarefa sinxela perante os rexistros civís, pero moito ollo! A cousa pode converterse nun pesadelo burocrático sen fin. Tal foi o que lle aconteceu ao profesor José Manuel Gonçales Ribeira, que iniciou hai seis anos o proceso para cambiar o Rivera do seu DNI polo Ribeira que lle gustaría levar. Pois ben, a día de hoxe na súa documentación segue aparecendo o Rivera porque no Rexistro Civil de Ourense, e posteriormente na Dirección Xeral de Rexistros e Notariado, fixeron unha interpretación moi particular da lei que permite galeguizar os apelidos.

    Cando e por que decidiu cambiar o Rivera polo Ribeira?
    Acho que é mais um passo lógico no processo de normalizaçom linguística e identitária e aproveitei umha campanha d’A MESA e a CIG de 2002 que promoviam esta acçom e até facilitavam os modelos de solicitude a apresentar perante os Registos Civís.
    A familia estaba de acordo?
    O certo é que nom perguntei à família se concordava com a minha decissom, porém, quando o souberom nom lhe pareceu mal a ninguém.
    Ten constancia de que o seu apelido foi deturpado en xeracións anteriores?
    Nom tenho constância documental directa de familiares recentes mas conhecendo a história de deturpaçons onomásticas, toponímicas, etc…. na Galiza, é unha hipótese mais do que certa.
    Além disto, fontes genealógicas e heráldicas consultadas por mim tanto castelhanas quanto portuguesas falam na origem galega do apelido, e até algumha delas menciona o local de origem que seria o antigo senhorio de Ribeira, na comarca ourensá da Límia, comarca de onde provém a minha família até as geraçons das que tenho conhecemento.
    Da Galiza, o apelido passou posteriormente ao longo do tempo para o resto da península mudando a súa forma. Também na Galiza mudou de forma em muitos casos (como outros muitos apelidos galegos), através das anotaçons registais efectuados por curas, funcionários, etc.. por circunstâncias históricas evidentes para todos, excepto para algúns encarregados dos Registos.
    Teoricamente, a galeguización de apelidos debería ser algo fácil de facer. Cales foron e cando se produciron os primeiros atrancos?
    Pois devia, e assim se fazia saber também desde a campanha da CIG, de facto eu fum tam confiado ao Registo Civil de Ourense que apenas preenchim o modelo de solicitude facilitado, sem mais argumentaçons. Hoje tería acrescentado à solicitude um informe filológico, genealógico e heráldico sobre a pertinência da mudança.
    É que o quid da questom está que recusarom a mudança à forma galega porque a Lei pola que apresentei a solicitude (Ley 40/1999, de 5 de noviembre e corrigida no posterior Real Decreto 193/2000, de 11 de febreiro) só permite grafar em galego apelidos inequivocamente galegos e nom “galeguizar” apelidos pretensamente castelhanos.
    Assim, segundo informe do “Gabinete de Traducción y Normalización Lingüistica gallega de la Audiencia Provincial” de Ourense, Rivera seria um apelido castelhano devido à sua ampla difussom por todo o Estado Espanhol sob essa forma e nom seria pertinente tal mudança. Polo que foi recusada em primeira Instância a minha solicitude em setembro de 2002.
    Nom era a primeira vez que isto acontecia…Aliás, com posterioridade tivem sconhecemento doutro caso similar acontecido neste mesmo Registo de Ourense, ao se denegar passar de Otero para Outeiro.
    Tal argumento foi depois confirmado no auto de resposta ao meu recurso, em segunda instância, perante a “Dirección General de los Registros y del Notariado” de Madrid apesar das minhas argumentaçons posteriores, após investigar fontes de toda classe sobre a origem do apelido. Mas depois da recusaçom do primeiro auto judiciário, a documentaçom que acheguei foi ignorada e foi ratificada a decissom do Registo Civil de Ourense.
    No entanto, tivem conhecemento dum caso idéntico ao meu mas, desta vez, bem sucedido e em primeira instância por decissom directa do encargado do Registo d’As Pontes onde umha minha amiga nom tivo qualquer problema em mudar o seu Rivera para Ribeira…
    Por indicaçom desta amiga decidim recorrer a denunciar este caso ao Deputado na altura polo BNG no Congresso dos Deputados de Madrid, Francisco Roríguez, que formulou uma pergunta ao Governo sobre a actuaçom arbitrária e prepotente dos Registos Civis. A resposta foi confirmar as actuaçons judiciárias anteriores. Até levou umha Proposiçom Nom de Lei ante a Comissom de Justiça do Parlamento Espanhol. Recusada por 30 votos (PP-PSOE) contra 5.
    Que tipo de prexuízos lle ocasionou toda a papelada e lea burocrática que tivo que facer en todo este tempo?
    Sobretudo umha sensaçom de indefenssom perante a arbitrariedade e prepotencia da “justiça” espanhola e a sua interpretaçom restritiva da Lei no meu, e noutros casos. E mais umha constataçom de que tentar viver como galego é umha luita contínua.
    En que fase está o agora mesmo o seu proceso?
    O passo seguinte era o Contencioso Administrativo que implicava despessas, tempo e sem muitas garantias de prosperar. O certo é que fico tranquilo e sem me obsessionar polo tema.A próxima ocasom em que eu figer a mudança sera-o com garantias de sucesso.
    Para já, estou a acumular documentaçom provatória (envelopes, publicaçons, suscriçons, diplomas de cursinhos, bilhetes de identidade de associaçons, etc… ) com o meu nome e apelidos galeguizados e grafados em ortografia reintegracionista e nom apenas o apelido Ribeira, para apresentar como a minha identidade reconhecida socialmente sob essa forma para que a Administraçom do Estado também a reconheça. Tudo isto acompanhado de relatórios filológicos, genealógicos e quanto for preciso… E talvez nom o faga no Registo de Ourense, teria de informar-me dum outro registo que nom tenha posto problemas e tentar fazê-lo lá (teria de informar-me dos trámites para empadroar-me e trasladar o meu expediente).
    Esta é a via que já tenhem provado com sucesso pessoas como Valentim R. Fagim ou Alexandre Banhos.
    Considera que o trato que lle deron a vostede pode “desalentar” outras persoas que estean en casos similares?
    Mais bem espero que se tente tirar proveito do meu caso para nom dar por feito o que pode parecer um acto simple e rutinário. Já vemos como age certo pessoal dos Registos. Perante estes precedentes, quem quiger galeguizar o apelido há-de ir bem “armado” com relatórios e informando-se do tipo de Registo que tem na sua cidade…
    De que forma pensa que debería modificarse a lexislación para que non se produzan estes impedimentos?
    Flexibilizando a lei para que a anotaçom marginal nas actas registais seja um acto automático com a simples vontade do demandante, até na ortografia escolhida. É um acto de liberdade individual que deve ser reconhecida polo Estado.E que prevalezam critérios científicos antes do que interpretaçons interessadas da Lei.
    Coñece algún caso similar ao seu e que tamén estea “parado” por motivos similares?
    Nom conheço pessoalmente mas com certeza há-de haver mais.
    Contou co apoio dalgunha institución que traballa a prol da lingua galega neste tempo?
    A Mesa e a CIG como promotores da iniciativa, mas umha vez surgidos os primeiros entraves já pouco podiam fazer… ou talvez podia ter sido denunciado o caso nos jornais, mas na altura a Mesa nom tinha a repercussom mediática que agora tem.
    Quem realmente se molhou a partir desse momento e trabalhou polo tema foi Francisco Rodríguez do BNG no Congresso dos Deputados de Madrid.
    Também na altura denunciaram o caso AGAL através do seu Portal Galego da Língua na Internet assim como o Jornal Novas da Galiza. A todos eles obrigado de novo.
    Espera que o seu problema se resolva en breve ou teme que poida prolongarse moito máis?
    O que demore nom me preocupa muito, quanto eu retomar a questom será para fazê-lo com todas as garantias de sucesso. Por enquanto continuo a usar nome e apelido galeguizados e grafados em ortografia reintegracionista desde que nom me seja impedido por determinadas situaçons legais por nom concordar com o meu Bilhete de Identidade.

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26 comentarios Deixa o teu comentario

  • 1. Gerardinho2000  |  3/Setembro/2008 at 8:42

    Esqueceu-che avisar que se trata de uma entrevista :)

    Muito ânimo, José Manuel!

  • 2. lurinha  |  3/Setembro/2008 at 9:33

    E depois ainda dim que já não há problemas com o galego.
    Segue sendo, no oficial e no quotidiano, umha língua residual que, como não vaiamos na direcção que cómpre vai desaparecer por abandono em poucos anos.
    E não é tremendismo. È a realidade.

  • 3. alema  |  3/Setembro/2008 at 9:41

    bueno, estamos falando dun caso puntual. eu espero que os problemas que tivo o ribeira sexan unha cousa anecdótica. a min o que me amola deste caso é que non haxa ningunha institución galega que ampare os cidadáns ante estas inxustizas… quero dicir, máis alá dun partido político estaría ben que houbese algún lugar onde che puidesen botar un cable nun caso destes e non sentirte tan desamparado…

  • 4. Gerardinho2000  |  3/Setembro/2008 at 10:57

    #3 Tão pontual como o do “Otero” que o próprio Ribeira menciona… E quem sabe quantos mais pode haver que não tenham transcendido! Porque situação idêntica à deste Ribeira podem ter muitos “Sotelo”, “Sotomayor”, “Gallego”, “Iglesias”[*], etc., devido a ampla difusão das formas deturpadas polo território espanhol, apesar de serem os três apelidos de induvidável origem galega.

    [*] Apesar da deturpação completa que apresenta hoje em dia o antigo apelido “(da) Eirexa” / “Eirexes”, numerosas fontes assinalam que a sua origem é galega. De facto, ao redor do 16% dos “Iglesias” da Espanha mora na Galiza. Outra boa percentagem está em Madrid e Barcelona (territórios de grande emigração galega).

  • 5. lurinha  |  3/Setembro/2008 at 11:07

    Tenho ouvido dizer que Igrejas ou “Iglesias” era apelido de crianças das casas de orfos, como Expósito e outros.
    Não sei que hà de verdade no tema.

  • 6. lurinha  |  3/Setembro/2008 at 11:09

    E…falando de tudo um pouco…A palavra Eirexa, não a escutei na minha vida a ninguem, para se referir a um templo católico.
    A umha eira, ainda pode, mas a um templo ou lugar de culto, nunca.
    Alguem ouviu?

  • 7. alema  |  3/Setembro/2008 at 13:19

    “Eireja” vén no Estraviz como sinónimo de “Igreja”…

    Acabo de cacharvos nun renuncio aos dous: que é iso de escribir Eirexa con x? :D ;-)

  • 8. pablo  |  3/Setembro/2008 at 13:38

    As persoas que coñezo que mudaron o seu apelido á forma galega non tiveron problema, unha delas incluso traduciu un apelido inequívocamente castelán (Ballesteros) ao galego (Besteiros). Sen problema.
    Supoño que depende moito do funcionario que che toque
    E falando do José Manuel, supoño que máis difícil ainda que o Ribeira sería conseguir colocar o Gonçales no DNI. É posible iso coa lexislación actual?

    Eu penso que Iglesias nunca foi Eirexa (ou similares). Como di Lurinha, era un apelido que os curas lle daban aos orfos en Galicia e Asturias, seguramente de orixe máis recente que a dos apelidos patronímicos ou toponímicos.

  • 9. alema  |  3/Setembro/2008 at 13:48

    home, posible debe de ser cando o ribeira apunta a que o valentim r. (rodrigues) fagim e alexandre banhos puideron trocar os seus apelidos… seguramente porque alguén fixo “a vista gorda” :D

  • 10. lurinha  |  3/Setembro/2008 at 14:33

    Não digo que não venha no Estraviz, a minha pergunta, vem da curiosidade de se se di em algures. Por saber.

  • 11. alema  |  3/Setembro/2008 at 14:34

    si, “eirexa” é unha variedade dialectal de “igrexa”

  • 12. lurinha  |  3/Setembro/2008 at 15:26

    Pois eu, que sorte, não tenho de mudar nada. Na minha familia somos Lema, Amado, Barreiro, Canosa, Pedreira, Oreiro… Só teriamos que virar um Lopez em Lopes. Não parece muito dificil.
    Mas…Eu faço-me umha pergunta:
    Se mudo eu, teriam de mudar os meus filhos?
    Se muda um irmão…Os outros tamém o hão fazer?

  • 13. lurinha  |  3/Setembro/2008 at 15:28

    E, outra pergunta:
    Alguem sabe se o apelido Fuentes é de origem galega e foi deturpado, ou é de origem hispánica?

  • 14. castelhano  |  3/Setembro/2008 at 15:48

    Pues yo no veo raçom alguma para truecar “Rivera” para “Ribeira”.
    Alho que los dos som igualmente galhegos. Tanto monta monta tanto.

  • 15. alema  |  3/Setembro/2008 at 16:16

    #12 eu creo que o tema dos apelidos é algo persoal e intransferible; é dicir, non se lle pode obrigar a un irmán a trocalo. con respecto ao dos fillos, supoño que depende… se é menor de idade, seguro que é posible cambiarllo (sempre que se acredite razoablemente)… a partir da maioría de idade, será cousa súa ;-)

  • 16. pablo  |  3/Setembro/2008 at 16:41

    En principio, eu diría que os Fuentes galegos (e os De La Fuente) son deturpados, xa que parece que A Coruña é unha das provincias onde máis abunda este apelido.
    Como tamén ten unha ampla distribución no resto do Estado, so un detallado estudo xenealóxico pode asegurar que unha determinada familia Fuentes sexa de orixe galega (con apelido deturpado) ou de fóra de Galicia.

  • 17. Gerardinho2000  |  3/Setembro/2008 at 19:22

    #5 Acho que algo disso há. Gonzalo Navaza, um dos maiores especialistas em apelidos galegos, dizia que a forma antiga ia precedida com a preposição “da”.

    #7 Foi um lapso… deixei-me levar polo Eirejas mais conhecido, que é Fins Eirexas (da ADEGA) :-p

    #8 Poder claro que se pode, já que Valentim tinha um “Fajín” e Alexandre possuia um “Baños”.

    #10 #11 Eu aida vos digo mais. Na freguesia natal de meu pai há uma aldeia chamada Ireja. No nomenclátor da Junta vem como “A Irexa” (por sinal, nessa aldeia está a igreja da paróquia :D). A forma antiga era “Ecclesia”, lembremos, polo que o antietimológico é o -g-. A forma mais arcaica seria, pois, “Eireja”. A passagem logo de ei- para i- vemo-la noutros apelidos e topónimos como “Iravedra” (Eira Vedra, “eira velha”).

    #3 #16 Homem, imagino que ao menos os da Galiza, sem ascendência acreditada fora do país, estarão no mesmo caso de Rivera e sejam “Fonte” ou “da Fonte” (este último comummente grafado “Dafonte”); e idem para os “Cuesta” (Costa, da Costa) ou “Puente” (Ponte, da Ponte).

  • 18. Gerardinho2000  |  3/Setembro/2008 at 19:23

    #15 A um irmão é lógico que não. A um filho menor de idade acho que sim, mas não estou certo.

  • 19. lurinha  |  3/Setembro/2008 at 20:05

    A ver.
    Um aviso.
    Há um senhor do Brasil, professor, investigador e muito bem educado,que conheci polo meu blogue historiasderavaleiros, que me pediu que divulgue o endereço do seu blogue para que pessoas da Galiza o visitem.
    O endereço é:
    http://albertomoby.blogspot.com/
    Podedes passar por alí e identificar-vos como galeg@s. Ele, até fai pouco desconhecia quase tudo da Galiza e agora fica encantado. Di que é como descobrir aos avós.
    Bem. Queda dito.

  • 20. lurinha  |  3/Setembro/2008 at 20:08

    E…Volvendo ao dos apelidos.
    Não é um pouco enredoso que os irmãos tenham apelidos diferentes?
    Digo a un nível administrativo.

  • 21. alema  |  3/Setembro/2008 at 20:39

    #20 xa… pero aí creo que debe prevalecer o dereito individual a facer o que a un lle dea a gana co seu apelido… por outro lado, imaxina as leas que habería se por exemplo un quixese galeguizar o nome e o outro non…! ;-)
    a nivel administrativo pouco importa quen é irmán de quen… case importa máis a relación de parentesco, non?

  • 22. castelhano  |  3/Setembro/2008 at 20:41

    #14
    Pues yo insisto: Rivera y Ribeira som, las dos, formas legítimamente galhegas. Ora, el uso de Rivera está documentado desde haz siglos y es hoy la forma mas generalizada. Por tanto, alho que, si biem Ribeira es una forma legítima galhega, la forma oficial deve ser Rivera. Lo demas es procurar pêlo em huevo.

  • 23. alema  |  3/Setembro/2008 at 20:45

    #22 está falando en serio?
    por que unha (Rivera) debe ser oficial e a outra (Ribeira) lexítima galega? explique por favor a diferenza.

  • 24. Gerardinho2000  |  3/Setembro/2008 at 20:48

    #23 Acho que Castelhano faz um símil com Galicia vs Galiza :D

    O dos apelidos entre irmãos, longe de ser confusso… Quantas famílias há hoje com irmãos com apelidos diferentes? Digo porque os divórcios e disoluções de unidades familiares para criar outras superpostas está à ordem do dia. Eu, em concreto, conheço muitos casos de irmãos que não partilham mais do que um dos apelidos. Por isso, acho que o facto de um irmão, p.e., se apelidar “Soutelo” e outro “Sotelo” não cria mais desconcerto do que o anterior :)

  • 25. alema  |  3/Setembro/2008 at 21:30

    #24 boh, caín na trampa… coma sempre, o castelhano confundindo allos con bugallos :-P

  • 26. castelhano  |  5/Setembro/2008 at 18:44

    #25
    Yo confundir ajos com bugajos?!

    Vamos ver, Alema, qual es el su critério para determinar que “Rivera” no es forma legitimamente galhega y que “Galicia”, “oso” o “bueno” si que lo som?
    Ilumíne-nos com el su arcano saber filolóxico. Com certeza que sabe respostar a mi pregunta com argumentos de uma grande coerência.

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