Se a maioría dos expertos en Portugal están contra o Acordo Ortográfico… que opinarán entón do reintegracionismo?

5/Agosto/2008

A plataforma contra o Acordo Ortográfico estame sendo toda unha fonte de inspiración. Grazas a ela, chego a un interesantísimo artigo do Jornal de Notícias que dá unha visión demoledora do famoso acordo para unificar a escrita do portugués. Das 27 entidades consultadas por ese diario, só dúas delas son favorables a facer unha ortografía conxunta para portugueses, brasileiros e restantes países lusófonos. E digo eu… Se os ditames e as opinións dos expertos son tan desfavorables, sendo como son moito máis próximos o portugués e o brasileiro ca o portugués e o galego, é previsible pensar que as teorías reintegracionistas gozarán de tanto ou máis repudio en Portugal?

As críticas ao Acordo veñen de todos os lados (dos filólogos, dos profesores, dos libreiros…). Pero de todas as frases que se citan no artigo do JN, chamoume a atención esta, pronunciada por Zita Seabra,  deputada do conservador Partido Socialdemócrata portugués:

“É tudo precipitado, artificial e pouco ponderado. A ideia de aproximar o Português de Portugal do Português falado no Brasil é simpática, mas as diferenças entre ambos vão muito além da questão ortográfica”

Tamén quixera apuntar esta frase de António Emiliano, lingüista e filólogo da Universidade Nova de Lisboa, sacada da páxina dos contrarios ao Acordo.

Facto: o português europeu e o português do Brasil são conjuntos de variedades linguísticas muito distintas que se encontram num processo multissecular de divergência. Não é possível fazer regredir a História no sentido da uniformização e unificação linguísticas. Para todos os efeitos, as enormes diferenças fonético-fonológicas, morfológicas, sintácticas e lexicais que existem actualmente entre o português europeu e o português do Brasil põem de facto em causa a existência de uma “língua portuguesa comum” a nível global, e obrigam do ponto de vista do estudo e descrição a uma abordagem linguística que trate o português europeu e o português do Brasil como línguas funcionais distintas. A unidade da língua portuguesa no mundo é, no melhor dos cenários, um conceito ideológico (perfeitamente legítimo, aliás), no pior, um mito, um fantasma.

Con estes argumentos, pouco máis queda por dicir. Substitúan a palabra “brasileiro” por “galego” e aí teñen boa parte das teses expostas neste humilde blog. Só que neste caso son ditas tamén alén do Miño…

Artigo gardado en: lingua, portugal, reintegratas

23 comentarios Deixa o teu comentario

  • 1. Gerardinho2000  |  5/Agosto/2008 at 8:17

    E quem são esses especialistas que constituem a Plataforma? Ilustra-nos :D Por mim podem dizer missa, já que os representantes do povo português (como antes fizeram os do brasileiro) já se pronunciaram em prol do acordo, e é isso que importa.

    O que acontece com o Acordo Ortográfico é em boa medida motivado polo facto de Portugal ser incapaz de assumir que o país do mundo com mais falantes de português é o Brasil, e polo facto de o Brasil ser um estado independente (e uma potência económica, actualmente).

    Há muito “especialista” dentro da Plataforma que, igual que fazem os isolacionistas mais radicais, não vê além do seu cortelho e que mesmo preferiria segregar a variante brasileira antes do que aceitar a sua posição privilegiada, mas minoritária, dentro do enquadramento lusófono.

    É isto mesmo que acontece com a wikipédia em língua portuguesa, com constantes disputas entre os redactores da variante brasileira e da portuguesa, e mesmo se chegou a colocar recentemente a proposta de criar uma versão da wikipédia em “português europeu”, visto que há tempo os gestores do projecto descartaram criar uma específica para o português brasileiro.

    Parece mais uma questão de política e de orgulho patrioteiro do que sócio-linguística, filológica e cultural.

  • 2. lurinha  |  5/Agosto/2008 at 10:00

    Pois eu escrevo em galego-português autodidacta intuitivo, com abondosas e reiteradas consultas ao Estraviz e ao Priberam para confirmar ortografia, mantendo as minhas formas de toda a vida, e não tenho problemas de comunicação com a comunidade lusófona.
    Há uns dias, um professor brasileiro que visitava meu blogue, disse-me que lhe parecia escutar falar aos seus avós. Que era algo precioso porque eles, sou umha comunidade com múltiples passados e que, o galego, lhe semelhava algo que vinha do passado comum. Algo assim como a memória linguística.
    Eu sou umha mulher rural de mais de cinquenta anos.Até os vinte anos não soubem de que houvesse língua galega, escrita, O “catecismo do labrego” e as “Campanas de Anlhons” recitava-me-os meu avó como algo muito pessoal que tinha aprendido de lhe ouvir a alguém.
    Mas move-me o amor polo meu e por mim mesma, e os ecos da infáncia - minha mãe ainda diz: Não ouço nada- e esso é mais forte do que todo o demais.
    Todo na vida é questão de amor ou desamor. De entusiasmo ou falta de interesse, de, como diziam os gregos clásicos: Éxtase ou pánico.

  • 3. Gerardinho2000  |  5/Agosto/2008 at 10:16

    Experiências reintegracionistas e protorreintegracionistas tenho na minha família tantas como atitudes lusófobas. Já vês. Entre as primeiras, boa parte da minha família emigrada no Brasil e se aclimatou melhor do que “outros espanhóis” graças a essa língua que com a passagem dos anos viram que era a mesma (tenho cartas da década de 60 e 70 em que assim o dizem). Entre a segunda, o estereótipo que há por muitas zonas da Galiza em que se vê a pessoa de nacionalidade portuguesa pouco menos que como uma “sub-pessoa”, um “infra-ser”.

    Por certo, Lurinha, autodidactas somos a imensa maioria dos luso-reintegracionistas, assim que não estás só :)

  • 4. Gerardinho2000  |  5/Agosto/2008 at 10:20

    Sobre isto, lembro que uma professora minha dizia no instituto que um amigo seu, reintegracionista, dava as aulas de galego em bi-normativo. Ou seja, em oficial e, só para quem lho pedir, em galego AGAL.

    Naquela altura ela dizia que, pessoalmente, acreditava muito complicado que uma pessoa pudesse escrever a mesma língua em duas normativas sem ter constantemente interferências.

    Passaram-se os anos e pode-se dizer que estou na situação de aquele amigo seu e tampouco vejo que seja tão complexo. É mais, alterno a norma AGAL com a do português padrão (e, entre médias, o meu híbrido particular) e a norma isolacionista. Porém, a única interferência que sigo a ver é a de uma língua que não costumo falar (excepto se me ligarem do país vizinho), que é o castelhano.

  • 5. alema  |  5/Agosto/2008 at 10:29

    ese cacao de normativas (autodidacta, AGAL, português padrão, galego RAG) non é apta para todas as cabezas… a ver se me explico… non todo o mundo ten esa capacidade… é unha auténtica loucura!

    por suposto xa podes imaxinar o que opino sobre os profesores que xeran confusión nos alumnos con ese baile de normativas…

  • 6. castelhano  |  5/Agosto/2008 at 11:02

    “as enormes diferenças fonético-fonológicas, morfológicas, sintácticas e lexicais que existem actualmente entre o português europeu e o português do Brasil põem de facto em causa a existência de uma “língua portuguesa comum”

    Alema, alho que com eses critérios tam “fonoloxicos” tendríamos una buena dozena de lenguas espanholas (mexicano, puertoriquenho, colombiano, argentino, andaluz …) y otro tanto o mas de lenguas inglesas …

    Vá usted se preparando para quando el su galhego diverga en doas o tres lenguas galhegas: qual será la sulha? De facto yo ya percebo diferentes maneras de hablar el galhego, al respeto de acentos, prosodia, léxico, etc. La suya no es mas de que una mas entre elhas. No reclame la lejitimidad del su galhego: no es mas de lo que um registro mas entre muchos.

  • 7. Gerardinho2000  |  5/Agosto/2008 at 11:05

    #6 Todas essas variedades do castelhano aparecem instaladas no pacote ofimático Office… e ainda não sei para o que servem :D

  • 8. alema  |  5/Agosto/2008 at 11:06

    #6 castelhano
    iso é o que din en Portugal, non o digo eu…
    supoño que eles distinguen entre o portugués europeo (coas súas variedades) e o portugués brasileiro (coas súas variedades tamén)… así que…
    por certo, o galego ten as súas variedades… por suposto! e? iso non invalida nada do que se di no artigo.

  • 9. Gerardinho2000  |  5/Agosto/2008 at 12:42

    Por certo, em galego-português nem existe a expressão “por suposto” nem tampouco o termo “experto”, que são decalques do castelhano.

    Na norma galego-castelhana existe “experto”, mas acho que tampouco existe “por suposto”.

  • 10. Gerardinho2000  |  5/Agosto/2008 at 12:43

    #9 O dicionário de IR INDO (digalego.com) recomenda o uso de “especialista” no canto de “experto” ;-)

  • 11. alema  |  5/Agosto/2008 at 13:09

    experto aparece no VOLGA, polo tanto correcto
    a expresión “por suposto” aparece na enciclopedia de galaxia

    é o que ten ser reintegrata: vense castelanismos everywhere

  • 12. Gerardinho2000  |  5/Agosto/2008 at 13:32

    #11 O correcto em ILG-RAG deixa de ser correcto cada cinco anos de reforminha :D

  • 13. lurinha  |  5/Agosto/2008 at 13:36

    Ai que caralho! Não me mareedes agora com os dicionários.
    Qué é o VOLGA, aparte dum rio russo?

  • 14. alema  |  5/Agosto/2008 at 13:39

    o VOLGA é o Vocabulario Ortográfico da Lingua Galega e é onde se recollen todas as palabras que acepta a Real Academia Galega.

  • 15. lurinha  |  5/Agosto/2008 at 13:42

    Aí lhe destes, Gerardinho!!!
    Mentras vivi fora da Galiza, mudaram quatro vezes de normativa. Que vaiam tomar por onde se empeçam os cestos!
    Eu também tenho um blogue que fiz por umha encomenda dumha associação amiga e, aos senhoritos, meteu-se-lhe nas cornas que tinha de ir em galego RAG.
    Pois tampouco há problema. Agora que não sei a qual das normativas se corresponderia, porque já perdi a conta…

  • 16. lurinha  |  5/Agosto/2008 at 13:43

    Pois que lhe deiam ao Volga. Eu prefiro o lago Baikal, que é o mais fundo do mundo.

  • 17. alema  |  5/Agosto/2008 at 13:48

    “Que vaiam tomar por onde se empeçam os cestos!”
    frase mítica que penso usar día a día (e espallar, of course!) :D :D

  • 18. Gerardinho2000  |  5/Agosto/2008 at 14:02

    #17 Aí, aí! Eu nunca ouvira a expressão, mas é boíssima :o)

    #5 Já matizei que era “sob demanda”, ou seja, a pedido expresso. E piores cousas metem na cabeça dos seus alunos os professores… Quando eu ia em 7º do EGB, a definição de “Universo” da minha professora era: “conjunto de astros e seres criados por Deus”. Aí é nada!

    #11 No VOLGA, como tem sabes, aparecem tantas cousas estranhas… mesmo alguns “lusismos” :-D

  • 19. alema  |  5/Agosto/2008 at 14:09

    #17 bueno, eu direino con z e sen ç porque eu CECEO :D :-P

    #18 a propósito de #5 claro que hai cousas peores! pero iso non implica que iso do que estamos falando estea MAL

  • 20. Gerardinho2000  |  5/Agosto/2008 at 14:24

    #19 O “mal” é um conceito relativo, ineludivelmente unido ao conceito de “bem” :) À parte, se nos pormos filosóficos, está o supra-conceito kantiano do “bem moral” :-) Isto é, ensinar duas normativas a uma criança pode estar “mal” (por contravir alguma lei??), mas do ponto de vista de abertura de miras e cultura geral, poderia fazer parte do “bem moral” :-D

  • 21. lurinha  |  5/Agosto/2008 at 14:30

    A cousa mais abraiante que ouvi dizer a umha mestra, testemunha de Jehová, era que o eije da Terra fica penso dum lado porque quando foi o dilúvio a água arrimou alí e pesou mais.
    As criaturas, de 8 aninhos, olhavam atentos cara ela.

    Essa frase é das que minha irmã, minha mãe e mais utilizamos habitualmente.
    Que prazer falar com elas! Saem-nos fervendo: Pim, pam! Ti dis e eu digo…!Revivo com essas conversas…!

  • 22. lurinha  |  5/Agosto/2008 at 14:34

    Como vedes, mesturei os dous temas.
    Algo normal em mim.
    Vai-me mais longe a cabeça do que as palavras.
    E isso que não consulto no VOLGA!
    hahahahahaha!
    Gosto do nome. Lembra-me o Kasachok de Georgie Dann!
    hahahahahaha!!!!!

  • 23. maurinho  |  5/Agosto/2008 at 21:39

    Acordo Ortográfico is for porn!

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